A Faculdade de Estudos Sociais e Aplicados - FA , projetada pelo arquiteto Matheus Gorovitz para abrigar as Faculdades de Direito, Ciência Política e Relações Internacionais, só veio a ser inaugurada no dia 22 de abril de 1982. Anteriormente, o curso de Direito era ministrado nos Institutos Centrais, tendo pertencido, primeiramente, à Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais (FCJS), sendo, em 1970, agregado à Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, a qual abrangia, ainda, os cursos de Biblioteconomia e Informação Científica e de Comunicação. 

Assim que Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência, seu compromisso de criar Brasília, mudando a capital para o interior, tornou-se o principal tema de debate nacional.  Toda a mídia e todas as bocas discutiam Brasília, surgindo as mais variadas interpretações do que viria a ser. Algumas vezes figuravam a nova capital como tendo que ser feita no meio da selva selvagem, onde só viviam índios também selvagens.  Isso me irritou muito.  Eu era um dos poucos intelectuais que tinha vivido para além das fronteiras da civilização, conhecia inclusive a região onde Brasília seria implantada.

O meu ingresso na Universidade de Brasília, em 1963, no Curso de Direito, constituiu-se numa oportunidade de realização do sonho de cursar o ensino superior. A UnB, em seus primórdios, nos idos de 63 e até muito depois da conclusão do meu curso em 1967, passou por momentos que calaram fundo na alma brasileira e, notadamente, no irrequieto espírito da juventude estudantil. Naquele tempo a UnB era um verdadeiro mosaico de idéias e ideologias políticas, razão pela qual ela foi um dos principais alvos da repressão militar que eclodiu com a chamada Revolução de março de 64, quando assistimos a uma série de eventos voltados para o enquadramento da UnB aos princípios esposados pelo movimento militar.

O curso de Direito da Universidade de Brasília virou o ensino jurídico pelo avesso na primeira metade dos anos 60. Até então, as faculdades brasileiras reproduziam os dogmas do positivismo e fabricavam advogados enferrujados pelos códigos. Havia a dinastia das cátedras vitalícias. Os professores eram senhores eternos de suas disciplinas, ensinavam leis em aulas modorrentas, replicavam currículos alheios à realidade e cumpriam rotinas distantes das outras áreas do conhecimento. O nascimento da UnB matou o velho jeito de formar juristas. 

Meio século após a quebra da legalidade, por meio de um golpe que desencadeou diferentes ondas de repressão política nas universidades em geral – e na Universidade de Brasília em particular –, cabe perguntar: como a nossa Constituição permite ampliar o espaço de luta dos estudantes no presente?

Quando o Darcy voltou ao Brasil para ser operado de câncer no pulmão, em dezembro de 1974, levei o Juscelino para visitá-lo no hospital, no Rio. Quando saímos, o Juscelino me contou que, quando o Darcy estava tentando criar a Universidade de Brasília, juntamente com o Anísio Teixeira, ficava insistindo com o Victor Nunes Leal para marcar uma audiência com ele, presidente JK.

Em 1959, o Darcy Ribeiro, que era vice-diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos- INEP- no Ministério da Educação, cujo diretor era o professor Anísio Teixeira, sonhou uma Universidade Brasileira que fosse a mais importante da América Latina. E insistia com o Presidente Juscelino para que a mesma fosse criada em Brasília.

O curso de Direito existe desde a criação da Universidade em 1962, tendo ficado a cargo do Instituto Central de Ciências Humanas (ICCH) até a criação da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais (FCJS), em 1967. A primeira turma formou-se em 1966. 

As transformações rumo ao aperfeiçoamento do ensino e da pesquisa em Direito na UnB são uma constante. Inicialmente apresentado como um curso-tronco, transformou-se em seguida em departamento do Instituto Central de Ciências Humanas (ICCH). Em 1967, passou a fazer parte da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais (FCJS), também como departamento, mantendo, entretanto, conexão com o ICCH. Os alunos continuavam tendo a formação básica no ICCH para então darem início ao ciclo profissional na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais (FCJS).

O curso de Direito não estaria completo se não contemplasse a prática forense, que, no curso de Direito da UnB, sempre combinou atividades de prática jurídica tuteladas pelo corpo docente com a inserção do futuro profissional em espaços públicos e privados de exercício do Direito: advocacia pública; promotoria; procuradorias autárquicas; tribunais; casas parlamentares; advocacia privada. O reconhecimento da excelência dos cursos de Direito da UnB faz com que seus alunos sejam muito bem recebidos e aguardados em estágios externos à Universidade.

Marcada pela qualidade de ensino e pesquisa, a Faculdade de Direito da UnB também goza do privilégio de estar localizada na sede do poder político do país. Sua localização lhe imprime a vocação do pensamento jurídico da Capital, ao atrair um número elevado de professores de renome de outras universidades federais e estaduais, que, sendo transferidos para ocupar funções em Tribunais Superiores ou no Supremo Tribunal Federal, mantêm a atividade do magistério em uma instituição equivalente às melhores universidades do país.

O quadro, em geral, das universidades brasileiras na época da inauguração da Universidade de Brasília (UnB) era o de universidades marcadas por conglomerados de faculdades sem que houvesse unidade ou comunicação entre elas. O legado das Faculdades de Direito contribuiu para este quadro. Ao mesmo tempo em que foram o início do pensamento universitário, carregaram consigo a tendência de isolamento.

A par da contribuição curricular e estrutural alcançada pela UnB por intermédio de sua Faculdade de Direito, também coube a ela firmar o pensamento jurídico da Capital do país em publicações de relevo, das quais se destaca a Revista Notícia do Direito Brasileiro.